segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Festa de Halloween – Atuação Assustadora

- Vamos lá Luana – incentivava a Marta - Sai do carro. O pessoal da banda já está à tua espera.
- Nem acredito que vou mesmo fazer isto – disse saindo do carro – Só posso estar maluca.
- Oh! – murmurou ela – Ninguém te vai reconhecer com essa máscara.
- A sorte é essa – disse com um pouco de receio que não tivesse assim tanta sorte.
Depois de mais uma dose de incentivo da minha melhor amiga decidi-me a segui-la até à entrada da festa. Por cima da porta tinha um cartaz com letras vermelhas que dizia “ Casa Assombrada”. No chão havia umas abóboras com velas dentro a tentar iluminar o caminho, mas mal se via. Na porta havia teias de aranha falsas. Tanto eu como a Marta estávamos curiosas para ver a decoração no interior. Ela puxou a porta revelando um rapaz alto vestido de mordomo com um olhar bastante assustador, tenho que admitir.
- Boa noite meninas – disse com uma voz grossa – Espero que tenham a noite mais divertida, ou assustadora, da vossa vida. Rezem para que não seja a última.
Eu e a Marta olhamos uma para a outra no momento em que ele tentava fazer uma gargalhada assustadora e desatamos a rir. Sem dúvida bastante assustador.
Seguimos uma espécie de corredor com mais abóboras a tentar iluminar o caminho. Praticamente iamos aos tropeções, mas lá conseguimos chegar ao final sem cairmos.
- Uau – murmurou Marta – Não pensei que estivesse tão giro.
Olhei em volta concordando com ela. Havia no teto decorações de bruxas que baloiçavam, parecendo que estavam a voar. As paredes estavam cheias de esqueletos, teias de aranha, entre outras coisas arrepiantes. A Marta avançou para junto do palco e eu segui-a, tropeçando em caveiras que estavam espalhadas pelo chão. Havia montes de pessoas. Havia zombies, vampiros, diabos, corcundas, múmias, fantasmas, bruxas e muito mais. Quando chegamos perto do palco vi quatro rapazes vestidos de preto, com uma máscara branca que tinham apenas espécies de lágrimas vermelhas, ou seja, parecendo lágrimas de sangue. As máscaras tapavam toda a cara. Eram os rapazes da banda. Eu sabia-o porque hoje iria fazer parte deles. A minha máscara era igual e estava vestida como eles, à exceção de que eu estava a usar um vestido de alças preto até aos pés.  
- Finalmente – disse o Rui quando me viu. Sabia que era ele porque praticamente crescemos juntos e era o meu melhor amigo. Conhecê-lo-ia ao longe só pele seu andar.
- Olá para ti também Rui – implicou Marta que tinha um fraquinho bem grande por ele desde sempre. – Obrigada pelo elogio. Também estás muito bonito.
- Obrigado Marta – respondeu-lhe provocando-a, como sempre faz. Olhou-a até aos pés, vendo o que vestia. – És uma bruxa! Porque é que não estou admirado?
- Bah – disse vendo que ela lhe ia responder. Conhecendo-os como conheço, nunca mais saiam dali. O que não seria mau. Assim não iria haver concerto e eu não teria que cantar em frente a toda aquela gente. Porque é que o vocalista deles tinha que ficar doente logo hoje? Porque é que o Rui era o meu melhor amigo e sabia que eu gostava de cantar? E segundo ele, cantar bem. Sempre tive vergonha de cantar em público porque acho que a minha voz não presta, mas o Rui armou-me uma cilada e os colegas da banda ouviram-me cantar e gostaram. Agora estou aqui, prestes a subir ao palco.
- Luana – chamou-me o traidor do meu melhor amigo – já nos chamaram. Vamos.
- O quê? – disse quase gritando de tanto pânico.
- Tem calma – abraçou-me – Não te vão reconhecer. E não tens que ter medo. Tu cantas super bem. A tua voz é linda. – largou-me e retirou a máscara revelando o seu rosto rasgado num sorriso amigável e confiante. – Vai tudo correr bem. Eu confio em ti.

Ele confiava em mim, mas eu não. Nunca confiei. Respirei fundo tentando me livrar daqueles pensamentos assustadores, mas não estava a resultar. Voltei a respirar fundo e quando me apercebi estava no palco com o microfone na mão completamente paralisada. Olhei para a Marta e ela sorriu-me. Virei-me para o Rui que assentiu. Voltei a respirar fundo e a música começou. Era a música da Katy Perry, Roar. Uma das minhas preferidas do momento. Fechei os olhos tentado desligar-me do público e comecei a cantar. O medo prendia-me, mas como diz a música: “I got the eye of the tiger, a fighter, dancing through the fire/ 'cause I am a champion and you're gonna hear me roar/ Louder, louder than a lion/ 'cause I am a champion and you're gonna hear me roar/ Oh oh oh oh oh oh/ You're gonna hear me roar/ Oh oh oh oh oh oh/ You're gonna hear me roar”, soltei-me e tornei-me numa “campeã”. Quando dei por ela estava aos pulos no palco a cantar sem medo. As pessoas dançavam, cantavam comigo, gritavam, mas sobretudo, estavam a gostar. E eu sem dúvida estava a divertir-me como nunca me diverti antes. Acredito que toda a gente estava. À exceção do rapaz vestido de mordomo “assustador” que estava a olhar-me muito sério. Creepy!!

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